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Turismo acessível: veja 5 dicas para viajar com acessibilidade e aproveitar ao máximo a experiência!

9 de novembro de 2020
Turismo acessível

Turismo acessível é uma necessidade das pessoas com deficiência e que muitos destinos de viagem ainda não oferecem. Por isso, a Oficina de Inverno reforça a importância de conversar sobre o assunto! Neste post, escrito em parceria com a Laura Martins (@cadeiravoadora), do site Cadeira Voadora, você vai encontrar uma seleção das dicas da Laura que estão no e-book “Como organizar uma viagem com acessibilidade”, um guia super completo para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida aproveitarem ao máximo as suas viagens! O e-book foi patrocinado pelo Guia de Rodas

No e-book, Laura conta uma história bastante comum entre cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida: elas podem passar a se privar do contato com o mundo externo diante de tantas dificuldades que espaços não acessíveis proporcionam. 

“Tantas pessoas com deficiência deixam de viajar pela insegurança, própria ou de familiares, de lidar com um mundo que não é acessível!”, ela conta, na apresentação do e-book. Por isso, é tão importante levar informação embasada e confiável para ajudar mais pessoas a ultrapassar esta barreira.


Turismo acessível: veja as dicas da Laura Martins pra viagem

Para ajudar os Mamutes Viajantes, a Oficina de Inverno se juntou à Laura nesse esforço de levar informação e ajudar no planejamento de todos os Mamutes cadeirantes e com mobilidade reduzida. Vamos então às 5 dicas da Laura selecionadas no e-book “Como organizar uma viagem com acessibilidade”?

1. Conheça seus direitos

Viagem com acessibilidade

Para a Laura, é preciso compartilhar informação para que mais pessoas se aventurem por aí – Foto: Marta Alencar/Arquivo pessoal de Laura Martins

Em vários momentos ao longo da leitura do e-book, Laura é enfática no que diz respeito à busca por informação. Isso faz uma diferença gigantesca, especialmente no que se refere aos seus direitos. Veja a seguir dois casos que exemplificam por que é tão importante conhecer os seus direitos:

>> Transporte de cadeira de rodas e muletas

Um exemplo aqui é o transporte da ajuda técnica empregada para a sua locomoção. A Laura explica, no e-book, que de acordo com a Resolução nº 280 da Anac, a companhia aérea deve transportar gratuitamente a ajuda técnica empregada para a locomoção do passageiro, limitada a uma peça. É o caso, por exemplo, do transporte da cadeira de rodas ou das muletas.

“Porém, no caso de transporte de bagagem acima do limite da franquia, a companhia aérea deve oferecer desconto de, no mínimo, 80% no valor cobrado pelo excesso de bagagem. Mas atenção: isso vale exclusivamente para o transporte de ajudas técnicas ou equipamentos médicos indispensáveis ao passageiro. Esta determinação está expressa no inciso II do § 3º do art. 8º”, explica Laura.

>> Embarque e desembarque do avião

Outro caso em que é importante estar ciente dos próprios direitos é no embarque e desembarque do avião. Conforme Laura explica, “pessoas com deficiência são as primeiras a embarcar, mas as últimas a desembarcar. Porém, de acordo com o art. 18 da Resolução da Anac, o desembarque pode ser realizado antes, quando o tempo disponível para a conexão ou outra circunstância justifiquem a priorização”.

Laura comenta que já perdeu conexão e até compromisso por causa de atrasos no voo. Em uma das ocasiões, ela desconhecia uma lei que permitisse o desembarque de pessoas com deficiência antes dos demais passageiros e o comandante da aeronave não deixou que ela desembarcasse primeiro.

2. A escolha do destino

A dica da Laura para a escolha do estilo é muito prática e reúne toda a experiência de suas viagens pelo mundo. “Sugiro que, para escolher seu destino de viagem, sempre se faça duas perguntas: para onde quero ir? Para onde posso ir?”

Conforme ela explica, essa é uma forma de manter o bom senso mesmo quando se deseja muito algo. A Laura esclarece ainda que para responder essa pergunta é preciso uma boa dose de autoconhecimento: observe qual o nível de acessibilidade você necessita, a melhor época do ano para viagem (por causa do clima), recursos financeiros, entre outros aspectos. Uma escolha impensada pode levar a uma viagem que talvez você nem goste tanto “por causa do excesso de desafios ou até mesmo de riscos”.

Para quem está começando a se aventurar sozinho por aí, a Laura deixa mais uma dica:

“Que tal escolher um destino mais próximo de sua cidade e com mais condições de acessibilidade? Afinal, o excesso de desafios nas primeiras viagens pode lhe deixar estressado e desmotivado a tentar voos mais altos”.

3. Viajar sozinho(a) ou acompanhado(a)?

Como planejar uma viagem com acessibilidade

Laura Martins em passeio pelas ruas de Tiradentes, em Minas Gerais – Foto: Marta Alencar/Arquivo pessoal de Laura Martins

Viajar sozinho(a) é uma experiência enriquecedora; viajar acompanhado(a) é sinônimo de partilha, em vários sentidos. Ao pesar os prós das duas modalidades de viagem, por assim dizer, Laura aconselha o leitor a fazer uma autoavaliação. 

É necessário observar, dentre outras coisas, se você tem independência nas atividades do dia a dia, as condições de saúde e até mesmo sua personalidade (se é mais ou menos sociável, se é uma pessoa resiliente…). De posse das respostas que você encontrou ao fazer este exercício de olhar para si, certamente será mais fácil decidir se vai viajar com ou sem companhia.

4. Como escolher a sua hospedagem?

Para encontrar uma hospedagem que se encaixe não só nos seus desejos, como nas suas necessidades, a Laura indica observar dois pontos:

>> Com qual equipamento você vai viajar ou alugar no destino?

Seja uma scooter, a cadeira de rodas manual ou motorizada, é necessário ver as condições de acesso em elevadores, ônibus, banheiros etc.

>> Você precisa de quê?

É necessário observar quais as suas necessidades na viagem. Observe as coisas das quais você não pode abrir mão! Você pode começar com três itens e ampliar para outros pontos. Aliás, ela traz um checklist sensacional para lhe ajudar nesta escolha. Selecionamos alguns pontos abaixo como exemplos de coisas que você deve se perguntar: posso abrir mão?

  • Entrada sem degraus ou com rampa que não seja muito íngreme.
  • Observar o número de elevadores disponíveis e o tamanho (neles cabe seu equipamento de locomoção?)
  • Tipo de piso nos corredores e quartos (carpete pode ser complicado para algumas pessoas)
  • Tamanho do quarto e da área de giro (você conseguirá se locomover nele com seu equipamento?)

>> Para ver este checklist completo (e outros!), baixe o e-book aqui.

5. Preparação física e cuidados com a saúde

Laura Martins lembra que, antes de viajar, é necessário verificar como anda a saúde física e mental, além de se preparar caso algo esteja “fora do lugar”. As principais dicas da Laura contidas no e-book sobre este ponto são: 

  • Considere começar uma rotina de atividades físicas monitoradas caso não tenha bom preparo físico;
  • Faça um check-up antes da viagem caso não tenha cuidado regular com a saúde;
  • Peça ao médico dicas para uma farmacinha básica que será levada com você, na mochila;
  • Solicite também ao seu médico as receitas dos medicamentos que utiliza e fotografe as prescrições para tê-las também no celular;
  • Adquira em sua cidade os medicamentos de que irá precisar, pois em muitos países pode ser difícil comprá-los, e em cidades pequenas, mesmo no Brasil, nem sempre são encontrados.
  • Procure um terapeuta ou outro tipo de auxílio caso não esteja bem emocionalmente ou inseguro(a) sobre a viagem.

Laura Martins - Blog Cadeira Voadora

Laura Martins em registro de Rafael Motta

Sobre a Laura Martins

Ex-servidora da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, da qual se aposentou em 2019, Laura Martins vive em Belo Horizonte, é cadeirante e autora do blog Cadeira Voadora. Também é ativista dos direitos da pessoa com deficiência, palestrante e presta consultoria em acessibilidade para viagens. Laura criou a página em 2011 com o objetivo de compartilhar suas experiências de viagem e ajudar os leitores a terem maior independência e autonomia em suas viagens.

Para mais dicas sobre acessibilidade em viagens, baixe o e-book da Laura Martins e acompanhe o trabalho dela através do perfil @cadeiravoadora no Instagram. Se você tem outras dúvidas ou deseja compartilhar sua experiência conosco, deixe o seu comentário aqui!

* Foto da capa: Laura em Newcastle Upon Tyne, na Inglaterra. Todas as imagens deste post foram gentilmente cedidas por Laura Martins.

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